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… que eu estou voltando.

:-)

Queridos leitores, sei que devo uma explicação sobre o meu sumiço repentino. Como posso dizer? As coisas complicaram para o meu lado, nem deu tempo de processar e avisar. Fiz duas viagens totalmente imprevistas nas últimas semanas, a minha mãe vem para cá daqui a alguns dias e eu decidi fazer algumas obras  aqui em casa, também estou preparando tudo para entrar em ritmo (meio) de férias, sem contar que aqui é verão e o calor está sufocante. A correria tem sido excessiva, não sobra um segundo para entrar aqui e cultivar uma vida virtual minimamente saudável. Desculpem-me pela falta de posts e pela demora para responder aos emails e aos tuítes; espero corrigir isso em breve. Obrigada a todos pelas mensagens e pelas visitas. Valorizo muito o suporte de vocês. :-)

Aproveitando o ensejo, não posso deixar de manifestar, de forma póstuma, o meu horror com o editorial Water & Oil da Vogue Itália de agosto. Sinceramente, nem li muito sobre a arquitetura conceitual (cof, cof!) por trás do trabalho, pois era óbvio que o meu estômago embrulharia com as prováveis e previsíveis desculpas baratas e com a filosofia de boteco Cavalli* cuja finalidade seria a de justificar o injustificável. Esse editorial foi, simplesmente, o último barraco do oportunismo tétrico e repugnante. Um trabalho publicitário regido pela total falta de escrúpulos. Usar uma desgraça daquela dimensão para vender blusinha Miu Miu e brinquinho Swarovski? Poupem-me.

Um dos maiores problemas do mundinho da moda é que algumas pessoas que o habitam se transformam em extraterrestres. Elas realmente acreditam que um trapinho de seda grifado – trajado por uma modeluca exótica (argh!) e clicado pelo fotógrafo estrelinha excêntrica (argh!) do momento – justifica qualquer coisa. Qualquer coisa, mesmo. De eslavas à beira da morte desfilando a sua morbosidade cadavérica e pálida a editoriais que ridicularizam e humilham pessoas pobres e exploradas (primeira Vogue indiana da história, quem lembra?), passando pela propagação de qualquer slogan retrógrado revestido com uma aurinha cool. Sem citar a elevação de personagens que não acrescentam nada à vida de ninguém ao olimpo de celebridades fashionistas teoricamente inspiradoras. E agora eu pergunto: alguém cai nesses contos de (e para) bobos? O mais triste, caros perplexos, é que muita gente cai. E querem saber? Que a queda seja lindamente espatifante. E, do alto da minha laje, ainda estarei batendo palminhas e dando saltinhos de alegria timburtoniana, com o penteado todo trabalhado nos Bumpits.

Acho que já passou da hora de esse povo alucinado parar de acreditar nessa suposta missão messiânico-profética da moda. Esse discurso cansou, pronto. Seguinte!

Tudo bem que, de vez em quando, se extrapolem alguns papéis e se levantem algumas bandeiras e se forcem algumas barras e se adotem métodos menos ortodoxos de expressão e de comunicação, mas coisas como esse editorial chegam a ser kafkianas. É o tipo de coisa que… que… que… sei lá! Para quê? Por quê? Qual era a do negócio? Alguém anotou a placa?

Particularmente, eu adoro uma subversão, uma sacudida na moral, uma exagerada na tentativa de chamar atenção a uma causa interessante. Acho ótimo que as bundas-gordas levantem dos sofás para dar uma chacoalhada. Mas que essa sacudida, essa exagerada, essa subversão, essa chacolhada tenha algo a dizer, algo a questionar, algo a transformar, algo a debater.

Vocês realmente acreditam que um editorial como esse tem algo a dizer, a questionar, a transformar, a debater? Eu não acredito.

Moda, faça uma coisa: atenha-se ao seu papel. Quando qualquer ser humano é vítima de um desastre ecológico, a última coisa que importa são os trapinhos e os produtinhos divulgados pela Vogue. A moda pode ser um reflexo da realidade sócio-política, sim. Só que a realidade sócio-política não é um reflexo da moda. Nem vai ser. Menos, tá? Fica a dica.

Steven Maisel, um recado: muda a fórmula, vai. Não é só porque deu certo uma vez, que vai dar certo sempre. Deixando claro que “dar certo”, para gente como você, é sinônimo de “falem mal, mas falem de mim”. Fórmula defasada e ultrapassada, de toda forma, que cai por terra quando surge a seguinte questão: e se todo mundo falar mal? Ativa a criatividade aí, amigo. A Franca puxa o seu saco, mas a gente não. Me liga.

Beijos de água, sal e petróleo de uma garota que não quer se jogar da sua laje.

* Conhecem o boteco do Cavalli? Diversificação dos negócios é o nome técnico da coisa, zzzzzz.

Crédito das fotos: Vogue Itália, agosto de 2010.

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