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Quando publiquei o primeiro post deste blog, deixei o meu email para que possíveis interessados mandassem “depoimentos sobre como a leitura de blogs de beleza teve um impacto negativo na sua vida”. Eu sempre soube que a leitura de determinados blogs que alentam o consumismo de uma forma exagerada poderia ser prejudicial a muita gente. Óbvio, pois nem todas as pessoas têm a mesma estrutura. Basta uma descomprometida olhadela às caixas de comentários desses blogs para sentir isso. Não, eu não quero abrir outra discussão sobre blogs de moda aqui, por favor. O assunto foi discutido à exaustão naquele famoso post que chegou a quase 800 comentários, lembram?

Pois bem, o que quero dizer é que, nos últimos tempos, tenho recebido diversos depoimentos que provam que os famigerados blogs de moda e de beleza são apenas uma peça mais de uma engrenagem bem complexa. Não nos iludamos, eles são apenas uma peça mais. Os depoimentos que me chegam – muitos deles nem sequer com a intenção de serem publicados – revelam como a aparência (ter) ganha cada vez mais peso sobre a essência (ser). São os valores da nossa sociedade, apenas posso lamentar. Meus caros, aquele que pensou que esse embate estava superado se enganou. Ele continua mais atual do que nunca. E, pelos depoimentos que recebo, ele ainda precisa de muitas respostas. Será que elas existem? Busquemos a luz.

O depoimento que publico hoje me comoveu. Recebi-o quando um post sobre compradores compulsivos – ou doentes pela moda – já ganhava teias de aranha na minha caixa de rascunhos. Não quero dizer que a pessoa que me enviou o depoimento seja uma compradora compulsiva, longe de mim. O depoimento de hoje é a prova de como o nosso desejo de ter, de consumir e de pertencer muitas vezes pode desencadear consequências gravíssimas para a nossa vida. O ponto é: que preço estamos dispostos a pagar pela nossa aparência? Que espaço da nossa vida queremos reservar para os objetos? Lembrando que um vestido, uma bolsa ou um blush são meros objetos e ponto. Que protagonismo essas coisas – sim, coisas – terão na nossa vida?

Pessoas bem-resolvidas, desculpem-me o tom quase piegas do texto, mas lembrem-se de que cada pessoa tem as suas vivências, experiências, o seu entorno, a sua estrutura, a sua personalidade. E eu sou daquele tipo de gente que gosta de ouvir as demais, por muito diferentes que elas sejam de mim. Gosto de aprender com as experiências alheias e sei que muita gente também. Por isso, gosto tanto de receber e de publicar esses depoimentos.

Shopaholic Anônima foi o apelido que escolhi para manter esse toque de humor e de ironia. A Síndrome da Compra Compulsiva é um caso sério, muito triste e, por isso, merece um post especial. Também quero aproveitar para dizer à Shopaholic Anônima que dedico uma canção a você e que sei que tudo vai dar certo, pois o principal você já tem. O seu relato revela isso. :-)

Lembrem-se: um diamante é eterno, mas um abraço é gratuito.

Querida dechanel,

Queria em primeiro lugar lhe parabenizar pelo belo blog e lhe dizer que invejo (inveja boa, claro) sua boa comunicação e português perfeito, sem contar sua inteligência e o bom humor. Mas antes que isso aqui vire uma sessão de puxa-saquismo e seja comparado aos inumeros comentários de blogs de moda, digo, pelo menos estou elogiando algo mais consistente do que sua roupa de marca.

Enfim, continuando…

Sigo seu blog faz algum tempo, nunca comento, mas sempre leio e me indentifico com algo. Acredito que este meu depoimento não seja muito diferente dos demais que já foram publicados. Sim, sou mais uma garota que se perdeu por ai, aluciiiinada, nesse mundo de consumos e futilidades.

E o mais ruim, comecei a perder minha identidade e ideais com isso tudo que vem acontecendo.

Sempre gostei de roupas, sapatos e moda e desde pequena sempre fui louuuca por maquiagens, acessórios e todas essas coisas que mexem com o universo feminino.

Quando comecei a trabalhar eu era estagiária e ganhava mísmeros 300,00 por mês, mas mesmo com pouco fazia tanto! Pensava nos meus gastos, sabia que não podia ter tudo.

Nunca fui ligada a marcas e grifes famosas, para mim qualidade não está relacionada a uma etiqueta.

De uns tempos para cá não sou mais a mesma. E a situação piorou mais ainda nos ultimos meses quando passei a ser uma endivida com o banco e por culpa de toda essa futilidade que passou a fazer parte dos meus dias.

To endividada, não tenho construido nada de sólido na minha vida, tenho apenas trabalhado, tranquei meu curso de design de interiores, queria fazer um profissionalizante em moda, mas por conta dos gastos (desnecessários) fiquei sem grana, quero casar e não tenho dinheiro para isso também e tudo isso por conta das minha futilidades!

Durmo e acordo pensando nisso. Penso o tempo todo! Comprar, comprar… Sempre parece que preciso de mais alguma coisa, mesmo tendo um guarda-roupa cheio.

A cada estação quero mais e mais as coisas que aparecem nas vitrines. Porém minhas condições financeiras não seguem esse padrão de vida.

Com a invasão de blogs de moda no meu dia-a-dia fiquei mais alucinada ainda.

Todas aquelas meninas que aparentavam um poder aquisitivo invejável e todas aquelas roupas, marcas famosas e as marcas conhecidas patrocinando seus blogs impecaveis… Meninas formadas, bem sucedidas, cheia de seguidores, etc…

Cheguei a me sentir do tamanho de uma noz depois de descrobrir o chamado “mundo da blogosfera”.

Na época eu tinha um humilde blogzinho onde eu não postava looks diários, mas postava fotos de roupas que eu gostava, minhas humildes roupitchas compradas com muito suor e em 5x no cartão em lojas ditas com tom de desdém por estas blogueiras como loja de departamentos ou fast fashion… Não que as lojas não sejam, mas não vejo inferioridade em tais por serem menos caras ou não terem uma etiqueta com um nome famoso. Também gostava de postar meus achados nestas lojas, comprei muita coisa com preços cortados e é assim que tenho muitas coisas no armário hoje.

Não me envergonhava disto, aliás, eu era feliz assim.

Mas depois de conhecer os demais blogs queria ser “cool” também. Queria ser “fashion”.

Queria ter variados modelitos para postar e queria um novo blog onde eu evitasse citar as palavras renner, cea e moleca (marca da sapatilha comum) sempre.

Comecei a sentir vergonha do meu blogzinho.

Primeiro passo foi parar de postar. O segundo foi excluí-lo por achar que não estava à altura dos demais.

O terceiro, foi comprar enlouquecidamente tudo que eu via, nas mesmas lojas que já comprava lógico, mas eu pensava, se eu tiver uma variedade grande, tanto faz a marca é só não postar onde comprei.

Bobagem! Quanta besteira! Quanta mente vazia e quantas atitudes sem sentido. Aliás, quanta falta de atitude!

Conclusão: Estou com dívidas gigantes e sem condições de pagar. Não tenho dinheiro pra pagar meus cursos e nem para construir uma vida sólida, com um lugar digno para residir, com condições de um futuro melhor. E o novo blog nunca saiu dos planos.

Mas que planos?? de ficar exibindo roupas na internet? Isso pode ser considerado como um plano, um objetivo, um projeto?

Ridículo.

E a culpa não é de mais ninguém além de mim.

A falta de descontrole foi minha.

Cada ato de impulso foi meu.

A burrice, bobice, infantilidade.

A mente fraca. A fraqueza de espírito e sim, digo, a fraqueza de personalidade.

Agora que estou aos poucos colocando meus pés no chão e caindo na real, quero me livrar das contas que fiz e focar em algo que seja realmente importante para mim.

Não deixarei de gostar de moda e coisas do tipo, mas sei que não posso ter tudo que está na lojas, seja elas ‘fast fashion” e de departamentos.

Quero voltar a ser a mesma menina que sabia se virar com o que tinha, sempre com bom humor e apreciando o que a vida tem de melhor, que vai muito além que um pedaço de pano da estação.

Farei meus cursos de moda e de costura. Tenho criativa de sobra. Terei em minhas mãos uma forma de mexer com a moda, de ganhar uma grana extra com essa minha paixão e de, o melhor de tudo, produzir minhas próprias roupas.

Sabe, aprecio coisas simples… o cheiro das estações do ano, as cores, o vento, as sensações. Há tantas coisas que o dinheiro não compra.

Quero ser a mesma de antes e voltareia te mandar um depoimento depois da minha evolução.

Obrigada por tudo, abraços carinhosos e sucesso para você!

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