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Sonegaram no mínimo R$1.000.000.000 (um bilhão!) em impostos e foram condenados por: formação de quadrilha, falsidade ideológica e contrabando.

Eliana Tranchesi, a cabeça da máfia, e seu irmão Antônio Albuquerque foram condenados a mais de 94 anos de prisão. Segundo o MPF, existe “um mar de provas” que incriminam os Irmãos Metralha do mundo fashion tupiniquim. Que a Daslu é uma verdadeira quadrilha, todo mundo sabe. Ou deveria saber.

E por que estou falando disso? Porque há dois dias um certo Procurador – que talvez esteja interessado em se promover às custas do caso, não sei – declarou que considera que a pena imposta aos delinquentes deve ser reduzida.

Ora, apesar de eles terem sido condenados a 94 anos, só cumprirão 30. 30 anos? Aham, me enganem que eu adoro! E ainda por cima a pena deve ser reduzida? Reduzida por quê? Que delírio é esse? Juro que meu estômago fica embrulhado só de pensar em tal hipótese.

São crimosos. Há provas irrefutáveis. A sentença diz: “os acusados praticaram crimes de forma habitual, como verdadeiro modo de vida, ou seja, são literalmente profissionais do crime“. Que a lei seja aplicada fiel e plenamente, sem concessões. Ponto final.

Para mim, eles devem apodrecer na cadeia. Afinal, a galinha que esses ladrões roubaram vale ouro. Quantas escolas, estradas e hospitais poderiam ter sido reformados ou construídos com esse valor sonegado?

Sonegar impostos é exatamente a mesma coisa que roubar dinheiro público. O dinheiro que é meu, seu, nosso. Num país que, em pleno 2010, ainda carrega nas costas a vergonha da escravidão, das crianças esfomeadas abandonadas nas ruas, dos traficantes determinando o ritmo de vida das cidades e de uma série de outros problemas que não vou listar aqui, um crime como esse ganha proporções de genocídio.

Culpar apenas os políticos pelas nossas desgraças – ou, o que é mais cômodo: culpar “esse povinho que não sabe votar” – é fácil. Culpar a Daslu e os facínoras que montaram esse império à custa de sangue alheio também é fácil. Difícil é defender esses criminosos, mas eu sei que há gente louca e sem escrúpulos que o faz.

E agora eu pergunto: é tão difícil deixar de comprar lá e parar de patrocinar esses corruptos? Não seria igualmente fácil boicotear esse Império do Mau Gosto Cafajeste? Como essa loja continua em pé? Como continua aberta? Juro que não entendo. Alguém me explica?

Sei que existe gente que desconhece o significado do exercício pleno da cidadania e do consumo consciente. Mas isso aí já chega a ser imoral.

Desculpem-me, mas… quem compra na Daslu é cúmplice de todos esses crimes. E, se eles estão em pé até hoje e apesar de tudo, é sinal de que existem muitos cúmplices de todos esses crimes.

Além do mais, convenhamos que eles nem foram condenados por todos os crimes que cometeram e seguem comentendo, como falsificação de roupas. Sim, a tal marca própria da Daslu, muitas vezes, não faz mais que copiar fielmente peças de outras marcas. Marcas que eles mesmos revendem. Oh, céus, a Daslu pode, é? Dar facada em sócio pelas costas é muito, muito anti-ético. Ssshhhhh.

Direto ao ponto de forma bem óbvia: a Daslu é uma piada de mau gosto com o contribuinte brasileiro. Já estou cansada de que tudo nesse país seja relativizado, de que as pessoas olhem para o outro lado e finjam que não vêem. Exausta de que as pessoas se calem, de que a impunidade role solta.

Num país onde réus são facilmente transformados em vítimas – desde que sejam ricos, preferentemente milionários, claro – não me estranharia que tudo acabasse em pizza.

Foto: coleção Food Fight, do Jeremy Scott.

Para facilitar a vida de algumas pessoas: sim, eu sou obesa, baranga, pentelha, perebenta, tenho chulé e apenas escrevo essas coisas porque sou frustrada e tenho inveja de quem compra na Daslu. Agora já podemos discutir o assunto em questão? Obrigada, beijos!

Um complemento sobre o que eu penso da Daslu, vocês encontram aqui.

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