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Eu adoro blush – doravante, tinta de bochechas, como eu prefiro chamar – mas, definitivamente, não tenho vocação para matryoshka. Sempre dou aqueles pincéis xexelentos que vêm nos estojinhos de tinta de bochechas para o meu priminho brincar de aquarela, e aplico o produto com um pincel finalizador. É, aquele pincel meio inútil, com cerdas naturais e artificiais, também conhecido como pincel de smoking ou pincel-pinguim. O efeito fica bem natural.


Como eu não sou fiel da Igreja Universal do Reino da MAC, gasto o dinheiro do dízimo testando outras marcas que fabricam pincéis ótimos. Assim, uno o útil ao agradável: saio do tédio e evito a formação de um monópolio.

Na semana passada, comprei o pincel finalizador da Laura Mercier, uma marca que faz pincéis com uma qualidade excelente. Lavei a minha nova aquisição numa bela manhã, como manda o figurino, e saí de casa. Quando voltei, senti um cheiro fétido a alguns metros da porta da entrada. Era o cheiro do pincel, mas eu nem me toquei.

Ao entrar em casa, comprovei que o cheiro era bem pior do que parecia: forte, nauseabundo, horrendo. Corri para a cozinha; poderiam ser os restos de sushi que sobraram do dia anterior ou inclusive uma revolta dos fungos do vieux bologne que habita a minha geladeira há meses. Não era nada disso. Então, pensei: ratos! Ratos? Não há ratos nessa região! E lá fui eu, paranóica e ajoelhada, revisar a casa inteira. Nada. Comecei a ficar nervosa. Seria um vazamento de esgoto? Vou ao banheiro e eis que encontro, lindo e faceiro, o meu pincel novinho, exalando o pior cheiro do mundo.

O que fazer? A loja já estaria fechada, não daria para montar um barraco básico e devolvê-lo imediatamente. Esperar até o dia seguinte não seria possível, pois eu não conseguiria dormir com aquela fedentina no ar. Deixá-lo do lado de fora de casa seria uma péssima alternativa; os vizinhos me denunciariam e eu levaria uma baita de uma multa da Vigilância Sanitária. A solução foi drástica: acendi mil incensos pela casa, cozinhei casca de laranja com cravo (fica a dica) por horas, borrifei perfume por todos os lados, e joguei o pincel – digo, o cadáver putrefato de gambá – no ponto de recolhida de lixo na rua.

Perdi o pincel, o dinheiro e a possibilidade de fazer uma reclamação instruída com a prova do crime. No dia seguinte, leio na capa do jornal municipal: moradores abandonam a cidade com pregadores de roupa no nariz. Especialistas estimam que o fenômeno se deve ao aquecimento global. Prefeito decreta estado de calamidade pública.

Pequeno aviso aos navegantes: uma pequena e incrível viagem me afastará do blog até a quinta-feira que vem. Vou tentar deixar um post programado. Até lá, cuidem bem da nossa laje! Obrigada, uma chuva de água termal nos vossos rostos angelicais, beijos!

Ah, também queria agradecer a todos que me mandaram perguntas para que eu bote a boca no trombone. Adorei as perguntas, muito mesmo. Obrigada! :-)

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