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Muito feliz por ter recebido este relato tão sincero, quero agradecer à Clarissa (nome verdadeiro) pela participação nesta incipiente seção de depoimentos, da qual eu gosto tanto.

Clarissa, tenha certeza de que você não está sozinha num deserto. Não tenho a menor dúvida de que muitos dos mochileiros virtuais que por aqui passam se identificarão de alguma forma com você, fiquem em silêncio ou não.

Querida amiga da laje,

Esse email é mais um da série “Depoimentos” que você inaugurou em seu blog.  Ainda não sei se quero que você o publique (voltarei a esse ponto no final do email) porque a minha intenção é a de apenas fazer um desabafo. Diga-se de passagem, um sincero, direcionado e muito grato desabafo ao seu terraço. Antes de mais nada, gostaria de elogiar seu blog, sua escrita impecável, seu humor. Ainda que suas idéias fossem ruins – o que não são – , você demonstra ser amiga da língua portuguesa, e mais do que isso, uma amiga íntima. E o simples respeito à nossa bela língua é muito, muito raro de se ver hoje em dia nos textos internéticos… Então, menção honrosa a você. Sinceros e alegres Parabéns!

O que quero mesmo dizer é que conhecer o seu blog mudou minha vida. Mesmo. Moro em Paris há um ano onde estudo, e grande parte do meu contato com o Brasil – amigos, notícias, modismos – é feita (naturalmente) através da internet. Comecei a acompanhar com mais assiduidade os blogs de moda como uma forma de inclusive saber o que andava se passando pela ‘cabeça’ de minhas colegas meninas brasileiras (se é que beirando os 30 a gente ainda pode se auto-denominar assim…). E percebi que, mais que os textos dos blogs, o que melhor traduzia a mentalidade das conterrâneas brazucas eram os comentários dos posts. E aí, amiga, qual não foi a minha decepção. Já tinha e tenho uma idéia muito ruim das mentes brazucas – não precisa concordar comigo – e gosto um pouco dessa minha misantropa posição. Traz um pouco de frescor e autenticidade aos meus pensamentos após o mais banal dos contatos – ainda que cibernéticos – com qualquer pessoa da nossa amada nação que compartilhe dessa fétida e majoritária mediocridade cerebral. E isso gera energia, gera raiva, gera vontade de ação! É exatamente isso o que eu sentia ao ler os comentários dos famigerados posts dos blogs de moda, tão revoltantes por idolatrarem as meninas que justamente se mostravam as mais fúteis, cultuarem bens esteticamente duvidosos apenas por custarem o que alguns ganham de salário, e revelavam tantas outras desvirtuações dos valores da nossa sociedade que, insegura, cultua o PARECER (ter, ser e consumir) muito mais do que o que está debaixo da água do chuveiro, à porta trancada, do banheirinho do ap de 2 quartos . Cheguei a criar um blog – que não divulguei pra ninguém – um tanto raivoso, mas que não aliviou minha dor, a qual foi se tornando tamanha, mas tamanha, que transformou-se em frustração. Então, nos útimos meses, vivia aqui de longe um misto de desânimo e descrença no futuro do país. E aí, deparei-me com ‘você’ e seu blog. O blog de alguém mais equilibrada mentalmente e talvez mais caridosa, mas não menos sagaz para saber enxergar além. Sabe, é ruim se sentir só quando nem sua mãe, nem sua melhor amiga e nem seu marido concordam com você sobre um tema tão escandalosamente gritante diante do seu nariz (que é de tamanho normal). Não sou feia, não sou pobre, não sou gorda, e nem infeliz. Sou até o contrario disso, graças ao bom Deus e à sorte. Todas as vezes que exprimi minha – concordo que ácida –  opinião nas irritantes caixas de comments, fui taxada de invejosa, mal comida, mal amada. E te juro que não sou. Rss.

Mas enfim, encontrei alguém mais inteligente que eu, que transforma a acidez em humor, e exprime de maneira brilhante tudo aquilo que as ‘dissidentes’ pensam mas sempre tiveram medo – de ser xingadas -, ou vergonha – de estarem loucas -, ou preguiça – da humanidade – ou descrença – na mesma humanidade – , ou até mesmo incompetência para falar. Alguém que encontrou o tom e deu voz a muitas meninas que realmente aprenderam a somar 2 + 2. E outras coisinhas mais…

Obrigada, amiga da laje. Desculpe-me o email enorme. Desculpe-me a chatice. E obrigada por convidar a gente pra curtir com muito gramour no sacolejo da sua (incrível) laje.

Clarissa.

Ps: pode publicar, se quiser.

Se você também está a fim de desabafar, basta mandar um email para dechanelnalaje arroba gmail ponto com, de acordo com o art. 5º da Constituição Federal. Prometo que, aqui nesta laje, o café está sempre fresquinho. Os grãos são moídos na hora, o coador é de pano e as xícaras são fofíssimas. No entanto, modéstia à parte, o melhor é a companhia. Isso eu garanto! Beijos!

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