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E quem lhe disse isso é um(a) infeliz. E tenho dito.

No meu caso, dizer que não preciso de uma birkin para ser feliz soa altamente eufemístico. Para dizer a verdade, com uma birkin pendurada no meu braço, eu seria é infeliz.

Os amantes dessa bolsa a idolatram porque dizem ser um modelo que combina bem com qualquer roupa e/ou estilo. Bem, isso é quase verdade. O que essas pessoas se esqueceram de dizer é que não existe um acessório capaz de homogeneizar qualquer visual tão bem como uma Birkin. E homogeneização não é uma coisa legal, néam? Principalmente para você, que banca o fashionista (ainda não encontrei uma palavra mais ridícula do que essa; seguirei procurando) e tem uma imagem a zelar.

Na minha cabeça, basta que a colega se pendure numa Birkin para que ganhe automaticamente aquele ar burocratizado robótico homogêneo entediante. Porque a Birkin é uma coisa, assim, quadrada demais, clássica demais, canônica demais, inquestionável demais.

A funcionária pública das bolsas, sabem?

Por muito que eu tente entender o fascínio exercido por esse modelinho da Hermés, a única conclusão à que chego é a seguinte: se a Birkin fosse barata, obviamente não seria tão badalada. Redundante. Mas dá para entender a mentalidade emergente: eu carrego um carro no meu braço, logo sou poderosa.

Uma mentalidade um tanto pequena-burguesia-provinciana, mas a gente tenta entender o zé-povinho.

CURIOSIDADE:

Esse é quase um segredo de Estado. Vocês sabem que a Hermès anda passando por uma crise de identidade profunda. Deu para ver na última liquidação aberta ao público que fizeram uns meses atrás. Liquidação aberta ao… público? Oi, Hermès, é você?

Agora vamos usar a cacholinha: vocês estão carecas como a Naomi de saber que a Hermès é a casa de luxo que guarda o melhor e o pior do requinte francês. Então, vocês realmente acham que combina com a maison ter uma garota-propaganda como a suburbana emergente inglesa Victoria Beckham, mais conhecida como Posh Spice Girl?

Claro que não, né? Então, a firma se encontra naquele impasse: deixamos a Vic desfilar com os nossos modelinhos, e inclusive damos alguns de presente para ela, já que isso praticamente fez ressurgir o fascínio da plebe pela Birkin, ou voltamos a nos fechar no nosso castelo de marfim?

Parece que a Hermès seguiu a primeira opção, porque dinheiro é bom e a gente gosta.

Agora, eu é que não uso uma bolsa promovida pela Victoria Beckham. Eu, hein?! Parem o mundo, que eu quero descer, por favor. Obrigada!

VOCÊ ATÉ PODE USAR UMA BIRKIN SE…

Você realmente gostar delas + se você for rica. Não necessariamente riiiicaaaaaaaaaaa, mas a bolsa tem que ser proporcional à sua realidade financeira.

Vou ilustrar, mas não desenhar: tenho uma amiga que vivia reclamando do seu fiat uno. Ela tinha vergonha do seu modesto carrinho e o estacionava a quilômetros de distância dos lugares que frequentava. Inclusive, ela só saía à noite de táxi. Não pelo medo respeito aos controles alcóolicos, e sim pela vergonha que sentia da máquina. Bom, numa dessas, ela me aparece com uma bolsa Louis Vuitton de quase R$5 mil. Fui obrigada a dar uma bronca nela! A tal bolsa custava mais que o próprio carro! Porque ela não usou o dinheiro da bolsa para comprar um carro melhor? Deprimente, né? Eu sei que cada um pode fazer o que quiser com o seu dinheiro, mas isso para mim passa o limite da palhaçada.

Então, querida, se dinheiro realmente é uma coisa que anda sobrando nas suas contas bancárias, e você realmente ama esse modeluco, entre na lista de espera de alguma edição especial, compre a(s) sua(s) Birkin(s) e seja feliz. Desde que não o faça porque foi inspirada pela Vic. Ou porque alguma it-brogueira de algum it-brog disse que você deveria ter uma. Bah.

Agora, continuando. Se o seu único patrimônio é um apê em Ipanema Copacabana, que vale R$600 mil, vai ficar meio desproporcional você ter uma bolsa de quase R$100 mil. Acredite em mim, amiga, esse é um mico que todo mundo percebe. Até o seu porteiro.

OUTRAS COISAS QUE VOCÊ PODE FAZER NO LUGAR DE COMPRAR UMA BIRKIN:

Vamos começar por uma Birkin baratinha, de US$6 mil. Pagando os impostos direitinho, já que você é uma cidadã exemplar, a bolsa sairia a uns R$20 mil.

Com esse dinheiro você poderia comprar:

Absorver um pouco da civilização e praticar o seu francês enferrujado: coisas que não têm preço. #mastercardfeelings

Compensa muito mais, não é mesmo? Porque você pode ter uma bolsa que custou os olhos da cara, mas as suas viagens, a sua cultura e o seu conhecimento de mundo não têm preço. Simples assim.

Eu ia dizer o que você pode fazer com uma birkin nude como esta, mas acho melhor deixar para outro post. Porque hoje é sábado.

Lembre-se: uma birkin não é para quem pode; é para quem quer.
E eu não quero não, obrigada.

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