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É sabido por todos nós que, no mundo da moda, tem um povinho que adora fazer um nhénhénhém. Fazer tipo. Botar carão. Bancar o interessante. Fazer c* doce. Enfim, encher o saco com discursinhos vazios e malemolências entendiantes mil. É muita hipocrisia, meu povo!

Da nossa querida amiga Alexa Chunga, que vive reclamando da “dificuldade de se fazer amigos de verdade nesse mundinho mimimi”, passando por Kate Moss, que se declara vegetariana convicta e logo aparece por aí com casacos de coelhinhos fofos ou exalando coca, chegamos ao queridinho da vez: Tom Ford.

Digo queridinho da vez, pois com o lançamento do seu filme, já não agüento mais ver o carão dele por aí. Mas o que não suporto mesmo são os seus famosos discursinhos pseudo-existencialistas do tipo “ah, sou rico, mas dinheiro não traz felicidade”,  “eu só preciso de uns dias no campo (uma mega-mansão no Texas) com os meus animaizinhos (cavalos árabes de sangue azul) para ser feliz”, “a moda é muito efêmera”, “sempre estou preocupado com as tendências da moda para a próxima temporada e acabo me esquecendo de cuidar do meu presente”. E dá-lhe nhénhénhém!

Não tenho saco pra gente carente.

Será que os lixeiros são existencialistas também? Ah, cada vez que eu recolho o lixo, eu me lembro de como a nossa passagem pela vida é efêmera e deixa resíduos. A gente vai embora e o lixo segue aqui. E médicos? Ah, cada vez que eu faço um transplante, me lembro de como eu cuido do fígado dos outros, mas não cuido do meu. E psicanalistas? Ah, como é difícil fazer amigos na minha área; por causa dos segredos de profissão, não tenho assunto com ninguém. Bah.

Tom Ford, o cara e o carão da vez, na capa da Esquire/Espanha de março/2010.

Ser modelo é ter o trabalho mais horrendo do mundo. Tom Chorumela Ford.

O conservadorismo americano me parece algo tão distante depois de anos na Europa. Tom Iconoclasta Wannabe Ford, esquecendo-se de que muitas das suas campanhas pornográficas e machistas altamente vulgares foram censuradas na… Europa.

O que eu realmente não entendo em algumas pessoas é essa obsessão doentia por serem um personagem o tempo inteiro custe o que custar. Fica chato. Além do mais, dá para ver quando por trás de tanta pose não há um mínimo de autenticidade e substância. Superficialidade pura.

E o problema do Tom Ford é que ele é um personagem que acabou virando uma incógnita. Muita gente não sabe o que pensar dele. Não sabe o que opinar sobre as suas campanhas. Não consegue ligar as campanhas publicitárias à pessoa dele, nem conjugar tudo isso com as roupas. Que até podem chegar a ser bonitas, mas nunca geniais. Tom Ford não é um gênio. Definitivamente.

No entanto, sim, chega a ser genial no que se refere à exploração da vulgaridade e à banalização da figura feminina e do próprio sexo. Isso ele faz como ninguém.

Apelativo. Forçado. Nojento. Vamos ao show de horrores:

A mulher, pelada e submissa, está sempre pronta para servir o marido. Uma escrava doméstica e sexual.

Nas campanhas do Tom Ford, a mulher sempre é retratada como um mero objeto sexual. Sempre à disposição dos machos.

Nas campanhas do Tom Ford, a mulher sempre é retratada como um mero objeto sexual. Aqui, dá para ver que ainda por cima ela acha isso engraçado.

O homem está elegantemente vestido, pois é um macho trabalhador e de vital importância para a sociedade. Enquanto isso, as mulheres estão sem roupa. Afinal, qual é mesmo o papel delas na sociedade?

O homem está elegantemente vestido, pois é um trabalhador e a sua importância e status são vitais para a sociedade. Já as mulheres estão peladas. Afinal, qual é mesmo o papel delas na sociedade?

Mais uma vez, a mulher é um objeto sexual, pronta para ser explorada por todos os homens que quiserem. Não me venham com esse papo de liberação sexual feminina, pois pela foto dá para ver que a mulher está ali para dar e não para receber.

Mais uma vez, a mulher é um objeto sexual, pronta para ser explorada por todos os homens que quiserem. Não me venham com esse papo de liberação sexual feminina, pois pela foto dá para ver que a mulher está ali para dar e não para receber. O brinquedinho que dá prazer.

O homem outra vez simboliza o macho dominador, com a sua cerveja na mão, e a mulher representa o bicho sexual, a lasciva doadora de prazer, e nesse caso de dor também. Ela é tão agressiva que o cara até reclama, né?

O homem outra vez simboliza o macho dominador, com a sua cerveja na mão, e a mulher representa o bicho sexual, a lasciva doadora de prazer, e nesse caso de dor também. Ela é tão agressiva que o cara até reclama, né?

Mais do mesmo. Essa coisa de "provocação sexual" é tão anos 60, né? Não dá para buscar outras formas de "provocar"? Essa repetição de fórmulas baratas entendia. E tem gente que acha que é "mudérno".

Outra vez, a mulher pelada e o homem vestido. Elas sempre aos pés deles. Eles com aquela cara blasé de "estou me sentindo sufocado".

Aqui, a escrava sexual faz os cílios do macho amado leitor de jornais. Ele se interessa pelo que acontece no mundo. Ela só pensa em servir e procriar.

Sem palavras para definir a vulgaridade asquerosa. Disseram ao Tom Ford que, para promover um produto, uma boa tática é causar um pouco de polêmica para que as pessoas falem dele sem parar. Só se esqueceram de avisar que quando TODO O MUNDO fala mal o saldo final é negativo, né?

Se querem ver a última campanha da linha masculina, cliquem aqui.

É por essas e outras que não tenho nada do Tom Ford, nada, nadica de nada! Nem um chaveirinho ou amostrinha de perfume. Nem um Guccizinho sequer desenhado por ele. Vocês já sabem que aqui na minha laje só desfilo se for com muito, mas muito gramour. Não é qualquer zé-mane que figura por aqui, não.

Aos produtos assinados pelo Tom Ford, proponho: boicote djá! Afinal, não é todo dia que este blog dá o título de persona non grata a alguém, né?

ATUALIZAÇÃO:

Por motivo de força maior, dei uma censurada na foto do diálogo do Tom Machista Ford, e também pus um aviso de que o post é inadequado para menores de idade, hohoho. Assim evitamos que algum ressentido mal-humorado denuncie o blog como uma dessas páginas de pornochanchada. Beijos, me amo!

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