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Publicidade na laje é uma nova categoria do blog, na que vamos analisar campanhas publicitárias de firmas de moda, cosmética e maquiagem.

Para inaugurar esta seção, vamos dar uma olhada numa campanha com um certo ar polêmico, que provocou nojo e aversão em muita gente.

Loewe, a casa espanhola de luxo que há mais de 20 anos pertence ao grupo Louis Vuitton, atravessa uma fase delicada. As vendas nos dois últimos anos não alcançaram objetivos, e a marca tem um duro desafio pela frente: modernizar-se sem perder a sua identidade. E o seu logo rococó.

Como conseguir que uma marca que se caracteriza como a representante-mor da linha superperua-burocrata ganhe um ar moderno e jovial?

Uma das estratégias adotadas pela casa para se aproximar do público jovem (leia-se: balzaquianas) foi o lançamento do perfume Aire Loco no final do ano passado.

A agressiva campanha publicitária figurou nas principais revistas de moda e em outdoors em algumas capitais européias:

O anúncio passou de forma massiva na televisão, na época do Natal.

À primeira vista, o anúncio parece incompreensível. No entanto, por detrás dessa aura indecifrável, há muita bostejação teoria publicitária.

Durante o briefing da campanha, algumas mulheres selecionadas pela agência de publicidade receberam um diário onde anotaram as suas paixões, desejos e fantasias mais íntimas.

Com esses diários, a firma diz que identificou quatro padrões de mulheres: a diva, a voyeur, a desafiante e a sedutora. E, assim, arquitetou a campanha tentando plasmar essas quatro categorias numa só mulher, numa só ação.

Depois dessa explicação, até dá para entender o anúncio publicitário: a modelo representa essas quatro caracteristícas numa viagem onírica. Puro LSD.

Agora, salamaleques publicitários à parte, a campanha desagradou muita gente. Não foram poucos os que sentiram nojinho ao ver essa mulher, de cabelo ensebado, lambendo as feridas o joelho.

A campanha na tv tampouco atingiu os espectadores, porque, além de ser altamente incompreensível, é escura e sombria, enfim, pecou nos excessos. O máximo que as pessoas puderam entender é que o perfume é borrifado no ar, provocando um “ar louco”.

Tenho certeza de que essa campanha não contribuiu para mudar a percepção da marca por parte dos consumidores. Com uma campanha como essa, a Loewe apenas conseguiu realçar a imagem de marca distante, gelada e inacessível. #margaret thatcher feelings.

Dizem por aí que as vendas do produto foram boas, mas não chegaram aos pés do que esperavam.

O perfume? Na minha opinião, não vi nada de especial nele, achei uma fragância pouco definida e sem personalidade. Também senti nojo da campanha e não fiquei curiosa para testar o perfume em nenhum momento. Bah.

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