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Um dia desses, uma nova-rica conhecida nossa – aspirante à socialite do interior paulista – causou um verdadeiro rebuliço no mundinho da moda-outlet, ao publicar no seu blog-outlet que estava investindo em livros-outlet para decorar a sua casa.

Se vocês não entenderam o espírito da coisa, eu explico: os livros não eram para ler. Os livros não eram para ler e decorar. Os livros eram para decorar mesmo. Só. Nada como um livro da temporada passada cheio de figurinhas para entreter alguma visita metida à madame que aguarda o chá da tarde e a habitual rodada de fofocas interioranas ali no seu sofá.

Pois bem, desnecessário dizer que algumas pessoas se descabelaram com a donzela e invadiram a sua caixa de comentários, alertando-a de que livros foram feitos para ler e não para decorar. Livros são coisas sagradas. Teria pensado a donzela-outlet que essa profanação passaria em branco? Desnecessário dizer também que os comentários desse tipo foram rapidamente censurados e que várias moçoilas altruístas saíram em defesa da garota incompreendida.

A intenção desta publicação de hoje não é criticar a plebéia em questão. Não. Eu gostaria apenas de manifestar o meu apoio não só à sua atitude bem-intencionada de decorar o mundo e fazer deste um lugar mais bonitinho para se viver, como também à sua cruel sinceridade. Acho que ela foi muito nobre ao ser tão sincera, afinal, se ela dissesse que gosta de ler, você acreditaria? Eu não. E, afinal de contas, não é emocionante que uma pessoa que sempre olhou de rabo-de-olho para os livros haja descoberto uma função, ainda que acessória, para eles? Eu acho.

Outra coisa importante a se considerar é que não apenas a decoração da sua casa revela quem você é, mas a quantidade e principalmente a qualidade dos livros (ou a escassez deles) também. Logo, eu acho bem transparente a atitude de só ter livros de figurinhas que são a sua cara. Não fica forçado, sabe?

Além do mais, não sejamos hipócritas. Você já viu lojas ou restaurantes decorados com livros? Prestou atenção neles? Ou são livros arrematados por lotes em sebos xexelentos ou são simplesmente réplicas de livros. O intuito é fingir que ali há livros, ainda que sejam de brinquedo. Isso sugere um ambiente de sofistação. Um famoso MacDonald’s de Buenos Aires foi todo decorado com livros de plástico e ninguém reclamou. Claro que eu prefiro a decoração do Ateneo Grand Splendid, mas isso é questão de gosto.

Se você também é da linha leitor-outlet, saiba que muitos estúdios de artesanato fabricam livros e especialmente lombadas de madeira para lotar estantes. Claro que os sebos também oferecem muitas opções e a amazon também. Os livros da Taschen são ótimos, muitos deles têm mais fotos do que texto, amiga! O bom é que, como você não se importa com o conteúdo, pode focalizar toda a sua atenção na capa. Acredite, é mais fácil comprar livros assim. Abaixo, algumas idéias:

1) Você pode encontrar essas caixinhas em qualquer papelaria. Como você é eminentemente uma leitora de revistas, essa é a solução perfeita! É só você rechear as caixas com revistas velhas, fazer uma lista de títulos de livros e encomendar na sua gráfica de confiança lombadas bem chiques. Assim você mata dois coelhos com uma só cajadada: guarda as revistas e consegue livros para decorar! De nada… : )

2) Exemplo de livros que você pode solicitar a qualquer artesão. A qualidade da foto não está muito boa, mas eu achei bem didática.

3) Exemplos de lombadas fofas que qualquer gráfica pode fazer para você.

Curiosidade:

Na nossa megalomaníaca IKEA, todas as filiais estão decoradas com livros… em sueco. Ou seja, os livros só estão ali presentes para compor o ambiente e não para você escolher um deles e se jogar num sofá enquanto a sua mãe se esbalda nos cacarecos. Quem falou que livro era para ler e não para decorar?

Mais livros aqui.

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